Ultimamente o nosso quotidiano parece um caso de “cada escavadela uma minhoca”, para citar a saudosa Voxx. Um dos mais recentes presentes do shitshow transnacional é a insistência da Tangerina-Mor em abanar o barco sem qualquer tipo de plano óbvio ou preocupação com os tripulantes—dado o avançado nível de demência, provavelmente nem sequer consigo próprio. E claro, o capitalismo agradece ao ver a instabilidade dessa entidade esotérica chamada Mercado tornar-se numa desculpa conveniente para, bem, tudo. Até porque quem se fode é sempre o mexilhão.
Por muito que se tente antecipar o caos dumas férias de verão em que muita gente recorre às viagens mais ou menos baratas para tentar esquecer um pouco a sua condição de escravo do sistema, as repercussões são sempre maiores do que imaginamos. E, para uma indústria constantemente ligada às máquinas num desespero de sobrevivência, estes pequenos “contratempos” podem transformar-se na famosa gota d’água que faz tudo vir por fora; afinal, a época estival é a única oportunidade que muitas bandas, organizações, produtoras, e afins têm de amealhar algum que lhes permita manterem-se à tona por mais um ano. E com cancelamentos e sobretaxas à vista, muitas das viagens indispensáveis a este ecossistema e programadas ao pormenor não irão acontecer.
Numa altura em que entramos em preparação de maratona festivaleira, a última coisa de que precisávamos era este factor extra de dificuldade. Desejo a maior das sortes a quem está a rever, reorganizar, e refazer planos num frenesim depois de ter sido obrigado a riscar o que levou meses a conceber. E se quando chegar o outono notarem mais uns cabelos brancos, já sabem de onde vieram.

