Mesmo que o ano de 2026 não tenha começado da melhor forma (eufemismo), poderá haver bastante para ter em conta se conseguirmos chegar ao seu fim. Há muita música nova ao virar da esquina e muitos artistas prontos a serem descobertos. Porque se o mundo lá fora parece que parou de tentar amar, ao menos existimos nós, os freaks, prontos a tentar criar uma utopia diferente.
Portanto, quem melhor para aconselhar o que aí vem de fixe do que a muito amiga Mariana & Os Dramas? Podem – e – devem conhecê-la através das redes sociais pelas suas reportagens de festivais locais, entrevistas a bandas desconhecidas e a ocasional trivia do rock português. É das pessoas mais fixes que por aí andam e muito faz ela pela cultura do underground e da música independente portuguesa. Além disso, ela própria é música. Se acham que os dramas da sua vida valem a pena, podem sempre fazer uma “Reza a Santo António” e a Mariana vai aparecer para vos salvar. E se disserem o nome dela três vezes em frente a um espelho, ela também é capaz de aparecer – mas aí se calhar não é para vos salvar.
Enfim, eis então aquilo por que esperávamos: O Guia de Mariana & Os Dramas para o que aí vem na cena nacional em 2026. Atentem e tomem notas.
1. Midus Guerreiro
A lenda do rock português radicada no Reino Unido, Midus Guerreiro tem álbum anunciado para Fevereiro e merece a nossa atenção. O aquecimento para 85-25 já arrancou com os singles “Happy New Year” e “Porto de Abrigo” (letra de Ana Zanatti e participação de João Cabeleira) e prometem rock à moda antiga. Faço figas para que algum programador nacional a traga até cá.
2. IBSXJAUR
“Berghain meets The Voice” é a melhor descrição que consigo dar ao duo luso-francês que descobri no TikTok. Com um álbum lançado em outubro de 2025, sucedido por uma digressão pelo país inteiro, o duo sediado em Vila Real parece não conseguir parar de lançar música nova (e ainda bem). O próximo single já está anunciado para os próximos dias e por isso mesmo recomendo que os apanhem num palco ou pista de dança assim que conseguirem – e levem calçado confortável porque vão dançar como se não houvesse amanhã.
3. EVAYA
Regressada de uma digressão pelo Brasil em 2025, a fadinha eletrónica do underground prepara-se agora para pisar os palcos do (malfadado) Festival da Canção. Ao mesmo tempo, prepara uma reedição em vinil de Abaixo Das Raízes Deste Jardim e um novo formato ao vivo. Última oportunidade de ver EVAYA como a conhecemos na Casa do Capitão, a abrir para Astra Vaga.
4. Astra Vaga
E por falar em Astra Vaga, poucos artistas do circuito indie se podem gabar de lançar um disco com um single já bastante rodado na rádio nacional. Mas foi isso mesmo que aconteceu com Astra Vaga, o novo projecto de Pedro Ledo, que conhecíamos há uns aninhos através de The Miami Flu e Lululemon. Unção Honrosa é o nome do álbum que arranca as edições de 2026 da editora Saliva Diva, com direito a uma edição limitada roxa pela qual estou completamente obcecada. As apresentações ao vivo arrancam nas próximas semanas por todo o país. Façam o favor de não perder.
5. Summer of Hate
Se tivesse de apostar em qual vai ser o álbum de 2026, colocava uma boa dose de fichas em Blood & Honey dos Summer of Hate. A contar pelos singles que já estão cá fora, acompanhados com os videoclipes mais deliciosos que vi nos últimos tempos, o duplo LP que aí vem promete muito. A ajudar à festa, a banda conta agora com o suporte da gig.ROCKS! no booking. Portanto, antecipo muitas oportunidades para entrar em transe ao som deste shoegaze hipnótico ao vivo.
6. Escárnio
Uma power band do underground tuga liderada por Violeta Luz só poderia ter aparecido na scene com um pontapé na porta. Em 2026, regressam a estúdio e prometem novidades que posso ou não ter informação privilegiada de que vão ser bastante ambiciosas. Eu estou curiosa e vocês também devem estar.
7. Conan Osiris
Lançar discos nos últimos dias do ano já não é uma novidade para Conan Osiris. Mas lançar um disco com 20 faixas (e uma hora de duração) acompanhado de uma colectânea de inéditos é dar double down na audácia. Como, até agora, apenas saiu uma data ao vivo – já realizada, na Casa da Música no Porto – dou por mim como uma ex-namorada maluca a dar refresh no Instagram deste jovem à espera de mais novidades.
8. Tantra Tarantula
Permitam-me que vos traga até às profundezas do underground para mostrar uma banda que ainda nem lançou um trabalho de estreia. Mas vai lançar em breve e esta lista é sobre isso mesmo: as minhas antecipações para 2026. E uma banda punk stoner liderada por Tomás de Papel, com uma digressão de estreia em Itália e Espanha, é algo pelo qual eu não podia estar mais entusiasmada. Esperem só até março, quando a banda regressar ao país, e a partir daí já podem comprovar se a minha antecipação é ou não justificada.
9. Prado
Outra expectativa dos confins do underground. Com apenas uma mão cheia de performances ao vivo e ainda sem registo sonográfico, Prado é um nome que tem dado sururu entre os amantes da moshada e eu preciso de ir meter-me nesse bedelho.
10. OkA
OkA foi o meu concerto preferido do Black Bass 2025, e desde aí que os impinjo a toda a gente qual testemunha de Jeová impinge o evangelho. É jarda nonsense, é barulho dançável, é desbunda da grossa. ombu, o EP de estreia, saiu no ano passado e permitiu um arranque ao de leve. Por isso,em 2026 vão andar por aí – fiquem espertos e vão ver por vocês.
11. Rachel Bangs
Dizer que Rachel Bangs é o projecto a solo da fundadora dos Palmers é um understatement. Rachel Bangs é uma experiência catártica solitária, one woman rock show. Desde 2021 que temos escutado alguns singles tímidos, mas é em 2026 que finalmente vamos ter uma colecção completa de músicas. Venham elas.
12. Bons Sons
Imaginem a dor que foi receber a notícia que o festival que considero ser o meu Natal não se iria realizar no ano seguinte. Recebi esse desgosto em 2024, quando o Bons Sons anunciou o regresso ao formato bienal. Felizmente, o primeiro ano de hiato já passou e sou hoje uma feliz portadora de passe geral para a edição de 2026. Pouco me importa que ainda não haja (ainda) cartaz. Natal é Natal e eu nunca fui triste em Cem Soldos.
13. La Vie de Maria Manuela
E porque os olhos também comem, achei pertinente mencionar que estou a antecipar um filme. É o documentário biográfico de La Via de Marie, uma das personalidades mais fascinantes e incompreendidas deste pequenino país. A escolha de “Acordei Mal” dos Marquise para o trailer parece ter sido propositada para fazer vibrar o meu coraçãozinho de fangirl do underground. Estreia a 12 de Fevereiro pelas mãos da Promenade Films e do realizador João Marques.

