Se a rede de algoritmos que pretende conquistar e dominar a nossa vida se tornou uma doença que parece inescapável? Sem dúvida. A arte de scrollar tornou-se apenas e só uma prisão de nós mesmos, o reflexo simulado das pessoas que somos, do que gostamos, por aquilo que passamos. Há um eco que é retornado e que em nada agoira a nosso favor.
Por cá, continuamos a tentar lutar contra este “monstro” que já tem mais de sete cabeças – e que todas, sem exceção, precisam de ser cortadas. É preciso clicar no botão de pausa, em primeiro lugar, antes de clicar no de restart. Pausa para entendermos que a velocidade a que o mundo se move não é assim tão diferente do que era há duas ou três décadas. O que mudou foi a nossa perceção do hiperestímulo e de como a realidade é tão facilmente manipulada por aqueles que têm acesso ao capital – monetário, cultural, patriarcal. Tudo parece mais rápido quando, na realidade, está tudo praticamente igual.
Se as regras do jogo não se alteraram assim tanto, é natural que algumas respostas do passado continuem a funcionar nos dias que correm. Não todas, mas algumas. E aquela que talvez mais funcione é a do carinho para com o outro e para com as comunidades que nos rodeiam. Para com os nossos amigues, amantes, família (quando é possível e nos aceitam), sindicatos, bairros. A consciencialização começa aí. No mundo real. Onde a velocidade das coisas pouco se alterou. Como cantou Samuel T. Herring nessa magnífica canção dos BADBADNOTGOOD: “And the time moves slow / When you’re out on your own”. O mundo não irá mudar se agirmos sozinhos. Juntem-se. Façam coisas acontecer.

