Editorial #6

Enquanto o Algarve seca desesperado, no Porto o chão do Primavera é, por esta altura, uma piscina olímpica. Chuva, vento, trovoada, pelos menos dois alertas amarelos para a região – mas os concertos continuam a providenciar a banda sonora ideal às alterações climáticas. No ano passado, o risco de incêndio florestal levou o SBSR do Meco para o Parque das Nações em pouco mais de 24 horas. Os extremos vão ser o normal daqui a menos tempo do que achamos. Entre a lama e o deserto, rodeados de painéis publicitários, com preços cada vez mais elevados. O som continuará no máximo, a euforia de um refrão cantado num coro de milhares lava almas mesmo que seja só por meros instantes – num festival, num bailarico ou noutro sítio qualquer.

Nesta edição da Playback, dançamos num arraial, recuperamos álbuns que salvam vidas, visitamos a estreia de Milhanas e ponderamos sobre um futuro em que ouvir música ao vivo será cada vez mais um luxo.

Estou na A2 e o sol esforça-se por brilhar, meio envergonhado por entre as nuvens. Ainda há campos verdejantes, ainda as árvores se esticam sem medo do fogo que chegará no Verão, ainda há esperança.

O primeiro artigo que escreveu sobre música eletrónica foi para o jornal da escola. Continuou a escrever, passou por uma grande promotora, mas foi na rádio que alimentou a maior paixão. A sua voz atravessou a antena de quase uma dezena de estações, mas teve residência permanente na Oxigénio durante cerca de cinco anos. Mais tarde, fundou o Interruptor. Atualmente é uma das responsáveis pela campanha Wiki Loves Música Portuguesa.
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