Até que ponto tudo aquilo que produzimos não irá acabar numa lixeira? Os nossos livros, os nossos discos, os nossos corpos. Daqui a décadas, possivelmente depois de morrermos, tudo isso acabará num aterro. Os nossos artefactos e as nossas memórias tornar-se-ão apenas a luz de um mini candelabro perdida num espaço negro imenso. Numa altura em que tanto se fala do regresso ao físico como escape ao vício nos ecrãs e tecnologia, há que ponderar como esse próprio físico nos chega. O consumo em excesso também se aplica ao objeto físico. Pode oferecer-nos um conforto maior com o seu toque, mas também ele é um engodo. Tudo aquilo que adquirimos é apenas um extra para tentarmos criar um certo adorno para fazermos uma dada performance. A nossa personalidade é o que compramos e consumimos. Somos todos apenas consumidores.
Tivemos isso em mente quando decidimos tentar fazer uma edição física da Playback. Não queríamos que fosse um mero objeto para ser consumido, adquirido, largado na prateleira para sempre. Queríamos que fosse um objeto aprumado e estimado, como os textos dentro dele relembram. E relembram porque, sem desejarmos muito, a memória tornou-se no tópico que liga os cinco textos (+ editorial) que se encontram na revista. A memória do que já se perdeu; a memória do que é necessário recordar; a memória das histórias que ainda precisam de ser contadas.
Repôr a memória é complicado nos tempos que correm, onde a mentira não tem rédea curta. Porém, esta zine que lançamos agora possui também esse objetivo: perdurar e refletir sobre o papel que as canções ainda podem ter na nossa vida.
A edição física da Playback será apresentada no dia 25 de setembro, na Casa da Mully, em Lisboa, às 19h. De seguida teremos a festa de aniversário da Playback – os típicos DJ sets para dançarmos na matiné. Contamos contigo? Teremos exemplares à venda; depois, só por contacto direto com alguém da nossa equipa.

