Para muitos, é atualmente um dos melhores baixistas do Brasil, mas acha que é apenas o “preferido”. Alberto Continentino, baixista, produtor e cantautor carioca, é a definição de esponja criativa. Nasceu numa casa com música em abundância, especialmente jazz “formal”, como ele gosta de chamar. Aos 18 anos já gravava com Milton Nascimento o disco Nascimento (1997), e aos 21 anos tocava na turnê do álbum Livro (1997) de Caetano Veloso.

É fácil ficarmos perdidos no vasto portfólio de colaborações de Continentino, no qual figuram nomes como Adriana Calcanhotto, Marisa Monte, Marcos Valle, João Donato, Arthur Verocai, Eumir Deodato e Edu Lobo. Mais recentemente, entrou na nova onda de música carioca, encabeçada por nomes como Ana Frango Elétrico, Bala Desejo e Negro Léo

Por nunca andar sozinho, Alberto Continentino criou a sua identidade sonora numa curadoria pensada de colaborações com diferentes músicos e amigos, que deu no terceiro disco Cabeça a Mil e o Corpo Lento (2026), o trabalho que mais se aproxima da essência do músico de 48 anos, onde tem presente o seu interesse pela paisagem sonora e onírica interpretada pelos diversos subgéneros do jazz e a admiração pelos seus parceiros, transposta em arranjos. Nesta entrevista, falámos da construção do disco, do que é deixar de ser músico dos outros, e da nova onda da música brasileira carioca.

Capa Cabeça a Mil e o Corpo Lento
Capa Cabeça a Mil e o Corpo Lento
No teu primeiro disco a solo, Ao Som dos Planetas (2015) tínhamos um disco cantado. No segundo, Ultraleve (2018), regressaste ao registo mais jazzístico instrumental. Agora, neste terceiro, voltaste à sonoridade do primeiro. Fala-me deste caminho como artista a solo. Quem é o Alberto fora do seu trabalho como produtor e baixista?

Sempre gostei da composição e da canção. Na minha casa, a gente ouvia muito standards de jazz e bossa nova, que são músicas que têm melodias e harmonias riquíssimas. Além de crescer numa família de músicos, na qual a gente se dedicou muito a tocar, ao instrumento, ao instrumental, também ouvi muita canção americana e brasileira. Isso sempre me tocou e me inspirou a querer fazer também as minhas melodias, as minhas canções, as minhas composições. Então fiz esse primeiro álbum, numa altura em que estava trabalhando com Adriana Calcanhoto e muito envolvido com um grupo de artistas, que é o Kassin + 2, um coletivo composto pelo Alexandre Kassin, Moreno Veloso e Domenico Lancelotti. Eles eram também músicos que cantavam e que saíam do seu instrumento para cantar E eles me convidaram para fazer parte dessa banda, e a gente viajou muito. Ao mesmo tempo, entrei para a banda do Ed Motta, onde toquei durante seis anos. Eu estava muito inspirado por eles, pelo convívio com eles, e pelo convívio com a Adriana Calcanhoto, que também é uma artista que tem uma conexão muito grande com os músicos com quem ela toca, e ela também instiga e provoca muito para que os músicos sejam autores. Por isso, cheguei até a escrever canções com ela também, porque estava muito inspirado e com desejo de fazer um álbum autoral. Comecei a compor as minhas primeiras canções que tiveram letras do Domenico. A gente fazia canções na estrada, viajando; eu gravava melodias, ele fazia letras, sempre dessa maneira, porque eu não escrevo letras, eu só escrevo melodias. Gravei o Som dos Planetas, no qual eu compus as melodias na minha casa, com o apoio da minha esposa. Ela estava sempre cantarolando e, de certa forma, eu percebia o que me agradava. A partir disso, também tive a vontade de extravasar esse lado de gravar um disco de jazz, já que é uma música que eu escuto muito, e achei um caminho de um jazz latino, com percussão e vibrafone e gravei o Ultraleve a partir daí. Logo depois, surge o timing para o terceiro disco, que foi mais ou menos na época da pandemia. Gostava de trilhar um caminho de compositor de canções, criando uma rede de parceiros. Consegui ter músicas gravadas com pessoas como a Gal Costa, a Roberta Sá, a Adriana Calcanhotto, o Ney Matogrosso, a Silvia Machete, a Emanuelle Araújo, a Laura Lavieri. Mas várias dessas canções ficaram numa gaveta e eram músicas que eu planejava usar para gravar um álbum meu. Durante o isolamento da pandemia, veio uma crise de pensar assim: “Poxa, eu não componho músicas para mim, componho músicas para outras pessoas e acabo que com esse resto para gravar para mim, e se eu começasse a compor canções nas quais eu não tenho as limitações?” Com isto, comecei um novo processo de composição, que foi de compor as melodias a partir das letras.

É interessante como no primeiro disco começas ao contrário e agora inverteste a estratégia, não é?

Exatamente. Faço uma analogia. É como se fosse uma janela, que eu fico procurando qual janela que eu vou abrir, mas às vezes eu me perco e não consigo abrir nenhuma, e as ideias não vêm. Esse processo abriu uma janela de fluxo de ideias muito grande e diferente, maduro, e eu comecei a admirar as músicas que eu estava fazendo, principalmente com a minha parceira, que é a Silvia Machete. Com isso, veio o momento de gravar um disco, não pegar nada antigo, olhar para a frente e gravar com uma maturidade de produção musical, ou seja, de entrar num estúdio e saber o som que eu quero. Fui buscar todos os parceiros e todas as parceiras com quem sempre desejei escrever canções, e também os meus parceiros constantes, como o Domenico, o Kassim, o Jonas Sá, a Silvia Machete, Ana Frango Elétrico, o Negro Léo, o Cabelo, a Nina Becker, a Dora Morelenbaum e o Quito Ribeiro. O disco tem 12 canções, e chamei 11 parceiros e parceiras; marquei o estúdio sem ter composto as músicas, com um prazo de um mês. Considero que esse álbum está, junto com os outros dois, num outro patamar. Consegui fazer descobertas, cheguei a um ponto de maturidade como artista, não só como músico, compositor, produtor. Encontrei muito o meu som neste álbum.

Então quem é hoje Alberto Continentino?

Depois do lançamento do disco, confrontei-me com o desafio de tocar em cima de um palco e eu estou na frente, que não é o lugar que estou acostumado a estar. Mas agora me encontro um pouco mais maduro e sinto a necessidade de desenvolver uma postura de artista com obstáculos de artistas. Porém, eu não deixo de lado a minha vida de músico acompanhante de grandes artistas. Hoje ainda toco na banda do Caetano Veloso, Marisa Monte, Marcos Valle, Ana Frango Elétrico e Dora Morelenbaum. Não abro mão disso. Quero estar nesse lugar e amo estar nesse lugar. Mas estou aprendendo esse novo comportamento de encontrar a persona, e isso a gente não cria, vem de dentro: na hora que estou no palco, cantando, me movimentando, o jeito de vestir, tudo que eu escutei, tudo que eu absorvi. Acho que eu sou, de certa forma. Tenho esse dom de não ser ali um prestador de serviço, mas um privilegiado porque toquei com meus ídolos.

Como uma esponja.

Exato. Absorvi também escutando músicas. Neste momento, já com um ano de lançamento de álbum e com uma série de shows, agora é um desafio porque eu me coloco também como cantautor, aquele que canta, simplesmente, defendendo as minhas melodias.

Deixa-me puxar mais esta onda existencialista. Tu passaste a vida toda a tocar com outras pessoas e para outras pessoas, e agora neste disco inverteste o esquema, ou seja, agora são os artistas a tocarem para ti. Como te sentes?

Toquei com grandes artistas de outras gerações, que são, para mim, inalcançáveis pelo excesso de respeito, admiração, quase uma timidez para chegar até esses artistas, como Caetano Veloso, Marisa Monte, Milton Nascimento, Ed Motta – Marcos Valle já é um pouco diferente, porque é um artista muito acessível, convivo muito bem com ele, mas nunca consegui chegar para ele e falar: “Marcos, vamos fazer uma música.” Ao mesmo tempo, tem uma geração nova, que eu vejo a ascensão e fazer parte do universo musical deles e a criar também um lugar que sinto que faço parte. Muitos artistas estão editando agora um novo caminho da música brasileira, e ali me encontro como parte da cena, pela proximidade de criar laços de amizade.

Achas que este disco pode ser, de certa maneira, um fruto da amizade, partilha e ligações criativas profundas?

É como se fosse uma família, como se fosse uma rede de parcerias e amizades com quem eu tenho, porque as pessoas que eu convidei para escrever letras e para participar no álbum são realmente amigos e parceiros, pessoas com quem eu me sinto à vontade a convidar para fazer parte. Talvez isso foi que moldou tudo. Há um momento do meu show que falo de coração e viro-me para a Dora Morelenbaum, que atualmente toca comigo na banda, e digo: “Agora vou fazer uma das coisas que mais tenho prazer na vida, que é ser baixista da Dora Morelenbaum.” Nesse momento, a Dora assume e canta, e eu me comporto no meu lugar confortável de baixista. Acho que isso vale para todo mundo que participou no disco. Essa troca é muito real e verdadeira. E, a partir daí, a gente inverte os papeis ou se misturam, no caso da Dora. Ela é uma pessoa com quem eu convivo e que tem toda uma rede também de artistas, compositores de uma outra geração mais jovem, mas se aproximaram, chegaram até mim, e eu faço parte disso. Eu gravei o disco do Bala Desejo, gravei o disco do Zé Ibarra, Júlia Mestre, Ana Frango Elétrico.

E ainda assim, é tão interessante perceber que a sonoridade muda, ou seja, defendem todos uma sonoridade própria.

Todos nós temos a acrescentar ao trabalho do outro. É um entendimento, afinidade. Quando a Dora senta e toca uma música, eu já entendi.

Mas já pensaste em fazer um disco totalmente a solo?

Eu já pensei nisso. Aliás, eu tentei fazê-lo em 2017, mas não consegui. Eu gravei, mas nunca lancei. Peguei nas músicas que tinham ficado na gaveta para fazer alguma coisa lo-fi, uma espécie de demo. Acabei por parar porque comecei a enfeitar demais, e daí surgiu a crise que sentia que aquelas canções não foram feitas totalmente para mim.

Como se compõe uma melodia ou se constrói um ambiente sonoro através das letras? Ou seja, a tua sonoridade é a interpretação delas? Da personalidade de cada músico e escritor?

Curiosamente, essa pergunta faz ponte com o que disse antes. Nesse álbum que eu não lancei, eu tentava ouvir as vozes dos artistas ou das artistas que pediram esses temas. As melodias eram demasiado malucas e precisava de coisas mais simples. No Cabeça a Mil e o Corpo Lento, quando recebi as letras, tinha a liberdade de quem iria cantar a música seria eu. Eu fiz as letras para a minha voz, e por isso é que são diferentes. E não é por acaso que as letras compostas por diferentes autores conversam entre si. Tem tudo a ver com a escolha de parceiros. Pedi as letras sem dar nenhum briefing. O único briefing que eu dava era que as letras fossem livres. Elas poderiam ser em inglês, em português, até em francês. Todos eles seguiram essa liberdade poética de criar palavras sonoras e imagéticas. São canções, mas não são canções formais: na estrutura, no tipo de melodia e no tipo de letra. As letras me inspiraram muito a isso. Acho que a coisa mais acertada para mim neste disco foram as escolhas. Criou uma identidade através das letras. Aquilo são imagens, são palavras. Eu digo que as palavras têm som, têm timbres, sonoridade, ritmo.

Fotografia: Divulgação
Fotografia: Divulgação
Inconscientemente, já tinhas uma imagética, uma sonoridade que tu querias alcançar. E que tu sabias que com aquelas pessoas tu ias ter aquilo que tu querias, não era?

Sim, e um outro detalhe: por causa da pandemia, todo mundo estava com muita coisa para botar para fora. Esses artistas botam para fora de uma maneira assim… não sei. A Ana Frango Elétrico pegou algum caderno dela, umas ideias soltas que ela tinha. Dali eu peguei essa frase, “cabeça a mil e o corpo lento”, que eu acho que traduzia muito um sentimento que eu estava naquele momento.

Consegues descrever que tipo de imagem sonora é este disco?

É um mosaico de coisas fragmentadas e que tem muito a ver com o título. O Domenico fala sobre os planetas. Se você fechar o olho e ouvir, você começa a ir junto com a letra, por exemplo, a composta por Cabelo, “A Palavra Rio”. Era uma letra que eu peguei; eu falei: “Nossa, mas que coisa maluca, como é que eu vou fazer isso aqui?” São imagens que conduzem junto com a melodia. É um trabalho que fico mesmo muito orgulhoso e feliz de ter. É um momento de muita inspiração.

Ainda falando dos temas que compõem o teu disco, existe um elo de ligação entre “Som dos Planetas” e o tema “Ovo do Sol”?

O Domenico é o autor de alguns temas do Ao Som dos Planetas, e da “Ovo do Sol”, que me deu a letra anos depois, também falando sobre os planetas. Decidi começar o disco com essa música, como se fosse realmente uma ligação, e, a partir dali, começa a nova história.

Este disco tem uma ligação com Portugal, mais concretamente com Tomás Cunha Ferreira. Quem é ele e de que forma o último disco se cruza com o país?

O Tomás, ele é um artista plástico que conheci quando estava fazendo show em Lisboa com o projeto Kassin+2, em 2007, talvez. Ele é muito próximo ao Domenico, que também é artista plástico. O Tomás tem projetos musicais já há algum tempo e ele vinha junto com a gente na turnê. No convívio, a gente começou a compor, mandei melodias para ele, ele me mandou letras e ele chegou a gravar músicas minhas. Achei muito importante ter ele no disco. Ele mandou a letra de “Milky Way”, que é uma poesia muito curta. Hoje em dia, é um dos meus maiores parceiros com quem eu mais tenho músicas. A gente já tem um álbum inteiro de canções que está lentamente também produzindo. Eu vou até aproveitar a minha ida a Portugal para a gente se encontrar.

Ouvi dizer que se este disco não corresse bem, tu ias fazer um completamente experimental. Isso ainda está em cima da mesa?

Essa ideia surgiu quando estava a montar a minha equipa para gravar o álbum, o Thomas Harres, o Guilherme Lirio e Pedro Paulo Monnerat, e eu falei: “Se a gente estiver nós quatro juntos no estúdio, a gente pode também improvisar e criar na hora.” É um processo que tenho vontade de fazer, sim. Foi uma coisa do momento em que estava sem saber se ia conseguir ter canções suficientes até chegar ao dia da gravação, porque faltavam meses. Por isso, pensei: “Vou compor aqui, o que eu não conseguir, faço umas sessões de improvisação e de experimentação, e a gente faz um disco um pouco experimental.” Quando fui ver, já estava com doze músicas super estruturadas. Acabei chegando no estúdio com tudo prontinho já, inclusive pré-produzido. Enfim, mas é um desejo que eu tenho, assim como fazer uma coisa sozinho, mas existem ainda imaturidades que ainda preciso trabalhar. A canção que escutava quando cresci era uma canção formal e busco um pouco da informalidade, quebrar isso dentro de mim. E o processo de fazer melodia a partir da letra quebrou um pouco isso. Ainda tem coisas que eu tenho que me libertar para conseguir fazer um álbum totalmente experimental e para conseguir fazer um álbum minimalista, onde estou sozinho e que esse álbum soe como um artista sozinho.

É reconfortante saber que artistas com um longo percurso como o teu ainda se confrontam com inseguranças e desafios desse tipo.

Todo artista tem esses conflitos. Você tem que estar confortável e respeitar a sua voz, mas também buscar um pouco. Ao mesmo tempo, me considero como artista embrião. Tenho 48 anos e me sinto no recomeço. Eu me vejo como uma pessoa que está começando. Aprendendo a lidar com coisas que, por exemplo, essas artistas maravilhosas como Ana Frango Elétrico e Dora já passaram. A Dora é uma pessoa que me ajuda muito. Eu lhe peço opinião e eu pareço uma criança. Por exemplo, a Ana, às vezes, me dá dicas sobre redes sociais. Ela dirigiu a minha sessão de fotos de divulgação e fez a capa para o meu disco. Ela teve muita paciência e muita generosidade para me explicar. Até no jeito de vestir para a sessão. Ela é uma mestre para mim.

Trabalhas com duas gerações de músicos distintas. Como é que a música, especialmente a carioca, se está a transformar?

Vejo essa geração como uma geração de um talento que há muito tempo não via. São artistas que também são produtores, arranjadores e compositores. Têm um cuidado com a música. Acho diferente. Por exemplo, Ana Frango Elétrico está se desenvolvendo muito como produtore, além delu ser um super artiste. O pessoal do Bala Desejo são muito cuidadosos com tudo. Eu me dediquei a ser um grande baixista. Mas a geração do Caetano ou Marcos Valle também se assemelha a esta geração nova. Quando eu vi surgir Kassin+2, aquilo para mim também foi muito diferente. Era muito mais despojado, espontâneo, desapegado e menos caprichoso. Tem um pouco de sujeira caótica, que, para mim, é essencial na música. Às vezes, vejo falando para a galera nova que eles têm de se ligar ao caos, aquilo que não está no nosso controle.

Como foi fazer a turnê do álbum-livro de Caetano Veloso como músico de 21 anos? Ou tocar com Milton Nascimento? O que aprendeste como músico e baixista numa fase inicial de crescimento?

Toquei com o Caetano Veloso, em 1999, para substituir o baixista Jorge Helder. Tinha apenas 21 anos. Foi o Jorge Helder e o Jaques Morelenbaum que me apadrinharam e me colocaram numa situação que nem eu sabia se ia dar conta. Tinha um mês para me preparar e isso me fez amadurecer muito. Tem uma história bonita: quando eu toquei com o Caetano na turnê do Livro, viajei o mundo inteiro. Foi a primeira vez que toquei em Portugal, Europa, Estados Unidos… E 22 anos depois, voltei à banda do Caetano por causa do Lucas Nunes, que é o diretor musical do Bala Desejo. O Bala Desejo foi a minha conexão para voltar a tocar com o Caetano. Foi um encontro muito bonito e emocionante. Fiquei muito emocionado de encontrar ele e me dizer o quanto ele estava feliz de me ter por perto também, depois desses anos todos. O Milton Nascimento me convidou quando eu tinha 18 anos. Ele me viu tocando num show, gostou de mim e dos meus irmãos tocando. Ele mandou me chamar para gravar num disco dele super importante, que é um disco chamado Nascimento. É um disco que ganhou Grammy. Cheguei lá no estúdio maravilhado com o tamanho do estúdio. Tinha uma super banda: Hugo Fattoruso, Robertinho Silva, Lincoln Cheib e Wilson Lopes. Vivi naquela situação, nervoso, mas consegui gravar duas ou três músicas nesse disco. Esse momento da minha vida me colocou em situações nas quais tinha que pensar que a confiança que estava sendo depositada em mim. Tenho que agradecer e saber que existe algo em mim que às vezes eu não consigo enxergar e que as pessoas enxergam de fora e querem me ter por perto. Isso vale também para vários outros artistas. O que eu sinto e que me deixa muito feliz é que o Brasil tem muitos músicos incríveis. Fico vendo que, nessa lista de músicos incríveis, eu estou ali como um músico a ser requisitado. Eu sou preferido de artistas, então é uma coisa que me faz ter mais confiança porque eu, como todo artista, tenho momentos de insegurança e dúvidas. Não me considero o melhor, eu sou o preferido de quem eu prefiro. Quem eu sou fã, quem eu admiro, gosta de mim, quer me ter por perto. Isso me dá muito mais força para continuar em frente.

Alberto Continentino toca dia 30 de setembro na Fábrica Braço de Prata. Ainda há bilhetes disponíveis a 13€; no dia, à porta, a entrada custa 16€.

Fotografia de destaque: Divulgação

 

Matilde Inês é uma pessoa que se emociona com os pequenos pormenores. É mais provável ouvimo-la a cantar as back vocals ou solos de guitarra, do que a letra principal. Recém licenciada em Ciências da Comunicação e que, atualmente, trabalha como radialista e jornalista na Rádio Voz de Alenquer. De vez em quando, escreve aqui e ali sobre música.
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