Editorial #27

Junho é sempre mês de santos e sempre mês do António. Apesar disto poder parecer uma redundância, as duas coisas não estão necessariamente ligadas; para quem como eu está mais habituada a que as festas populares se façam em torno do santo superior (São João, o do balão), o dia de Santo António serve primariamente como efeméride musical. E desta vez ainda mais, porque foi há precisamente 40 anos que António Variações partiu.

Para homenagearmos aquele que é talvez o mais importante artista da pop portuguesa dita contemporânea, preparámos uma Carte Blanche especial em que músicos, agentes, jornalistas, e fãs partilham um pouco da sua relação com a música do António. Mas claro que não nos iríamos limitar a olhar apenas para trás: as honras de capa desta edição vêm daquele tandem especial entre Portugal e Brasil—mais especificamente duma extensa entrevista da Matilde Inês à banda paulista Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, que esteve recentemente em terras lusas. Em plena época de festivais, há ainda espaço para reflectir sobre o passado, presente, e futuro deste tipo de eventos utilizando a última edição do Primavera Sound Porto como case study num ensaio do Miguel Rocha. Noutras núpcias sonoras, a Teresa Montez esboça uma ode à magia de Barcelos como epicentro musical enquanto a Ana Margarida Paiva relata a sua experiência ao assistir a um magnífico concerto de iolanda no Capitólio. 

Ainda nem a meio vamos e 2024 já está tão cheio de coisas que nos parece ter simultaneamente começado ontem e há uma década atrás. O segredo é sempre navegar à bolina; só não cedam à tentação de se armarem em heróis.

tripeira de nascimento, parisiense por adopção. já escarafunchou muita arte, pisou muito palco, escreveu para muito sítio, e deitou muita carta. doutora em quebrar corações (e não só) e eterna electroclasher.
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