Imaginem um ficheiro áudio vindo do futuro em que se ouve apenas uma voz descontrolada, à beira da rutura, a tentar processar tudo o que aconteceu. A morte, a destruição, UM AVISO do que ainda está por vir (bem mais cedo do que achamos). É assim que penso nos Sereias.
Constituídos hoje por António Pedro Ribeiro (voz), Arianna Casellas (voz), João Pires (bateria), Tommy Hughes (baixo), Kauê (guitarra), Nils Meisel (teclados) e Tiago Raimundo (trompete), o coletivo constroi ao vivo uma autêntica muralha de som impossível de ignorar. Há quem saia de um concerto deles desconfortável, seja pela presença e letras de Pedro Ribeiro ou até pelo elevado volume dos instrumentos, mas é inegável que há algo profundamente belo a acontecer quando esta banda sobe ao palco.
Formados em 2017, no Porto, os Sereias nunca deram dois concertos iguais. Seja pela improvisação, seja pela forma deliberadamente mutável como abordam as suas próprias canções, cada atuação torna-se irrepetível. Ver Sereias uma dezena de vezes não chega, porque há sempre um novo espetáculo dentro do mesmo corpo de músicas.
Depois do álbum de estreia, O País a Arder, editado em 2019 pela Lovers & Lollypops, a banda aproveitou o período pandémico para desenvolver novo material. Disto saiu Sereias, o segundo registo de longa duração, lançado em 2022 com o mesmo selo e novamente muito bem recebido pela crítica.
As canções destacam-se tanto pelas letras, difíceis de esquecer, como “quero comer o primeiro-ministro ao pequeno-almoço” ou “o país a arder, e eu também”, como pela dimensão sonora que exploram. Entre os sopros de Tiago Raimundo, as vozes etéreas de Arianna Casellas e os sintetizadores de Nils Meisel, cria-se um espaço quase transcendental. Mas é precisamente nesse território que encaixam, com igual intensidade, os riffs abrasivos de Tommy Hughes, as batidas incisivas de João Pires e a distorção crua de Kauê. Nada parece deslocado: a química entre os membros é evidente, tal como o compromisso com o palco, com a música e com a mensagem.

A 13 de março, lançaram o terceiro disco, A Odisseia de Carlos Bizarro, reafirmando-se como uma força de combate frontalmente posicionada contra o fascismo. O disco não traz nada de novo para o universo de Sereias, apenas aumenta o volume e o drive do som que já estava mais do que definido. Novamente, encontram-se letras orelhudas como “somos macacos que se vigiam uns aos outros” ou “a extrema-direita fascista tem que ser exterminada” e um instrumental que posiciona a banda como uma das mais consolidadas (e uma das mais necessárias) no país.
No dia 3 de abril, os Sereias passaram por Fafe para atuar em mais uma edição do Ano Malfeito. Pouco antes do concerto, sentaram-se à mesa com a Playback para uma conversa sobre o novo disco e o percurso da banda.
Como é que se formaram os Sereias?
[João Pires] Os Sereias surgiram com o propósito de se fazer jams e improvisar, mas o objetivo era irmos mais além. Em vez de tocarmos numa sala, tocamos onde nos deixassem tocar, fosse em bares, livrarias, onde desse. Juntávamo-nos para tocar e, sempre que conseguíamos convencer alguém a deixar-nos tocar num jardim ou noutro sítio qualquer, íamos lá tocar. Quem se juntou inicialmente fui eu, o Tommy, o Sérgio, o antigo guitarrista, e o Pedro. O Tommy já o conheço há algum tempo, conhecemo-nos desde miúdos, e quando me mudei para Londres tivemos uma banda juntos, os Selfish Cunt. Chegámos a tocar em Paredes de Coura vestidos de mulher [risos]. No início acabámos por ir juntando muitas pessoas diferentes para irmos jammando e improvisando. Ainda houve algumas pessoas que não ficaram na formação da banda.
[Tommy Hughes] Eu lembro-me de um ensaio em que veio uma pessoa que depois não ficou, o Kenneth, que ao longo do ensaio foi despindo progressivamente a roupa toda. Estava sempre a entrar e a sair pessoal, e ele cada vez mais despido, até ficar só com uns óculos [risos].
E vocês chamavam-se Sereias mesmo nesta formação inicial, em que se juntavam apenas com esse intuito?
[João] Tínhamos o nome inicialmente de Sereias Pós-Aquáticas. Depois ficou só Sereias.
E o [António] Pedro [Ribeiro] esteve desde o início?
[João] Sim.
[António Pedro Ribeiro] Devo muita coisa ao João porque foi ele que viu uma atuação minha na Casa Viva, que era uma casa anarquista que havia no Marquês, no Porto. O João viu-me lá a atuar, a dizer uns poemas, eram para arrebentar com a cabeça ao pessoal e afins e, convidou-me para fazer uma jam. Fiquei desde aí.
Depois, ao longo de cada disco, foram entrando e saindo pessoas, certo?
[João] Sim, nós mantivemos sempre o mote de ir convidando pessoas diferentes para se juntarem. O Nils ainda entrou no primeiro disco, por exemplo.
[Nils Meisel] Eu conheci o Tiago Raimundo e esta gente toda no primeiro concerto dos Sereias.
[João] Conhecemos-te quando andávamos a apresentar o nosso primeiro disco, que nunca chegou a ser editado. No final do primeiro concerto, disseste-nos que tocavas sintetizadores. Falamos-te do nosso concerto do dia a seguir no Maus Hábitos e dissemos-te para apareceres.
E contigo [Tiago Raimundo] também foi algo assim?
[Tiago Raimundo] Praticamente igual [risos]. Eu conheci o João na Faculdade de Letras, quando estava a estudar Filosofia, e um dia ele convidou-me para ir a um ensaio.
E a vocês [Arianna e Kauê]?
[Arianna Casellas] Um dia cruzei-me com o João na rua e ele disse-me: “Eu ouvi dizer que tu cantas assim umas coisas e fazes assim uns barulhos.” Depois fui a dois ensaios. Nesses ensaios não estava nem o Nils, nem o Pedro. E depois só fui a um concerto. Na ida para o concerto, o Nils virou-se para mim e disse: “Olha, isto é improvisação, ahn… temos que nos ouvir.” E depois chegou ao concerto todo torto e nem conseguia ler.
[Tiago] Mas conseguia ouvir afinadinho [risos].
[João] Isso foi no Vinho, Folar e Rock’n’Roll, às quatro da manhã.
[Arianna] E depois dormimos todos apertadinhos na carrinha [risos].
[António] Esse concerto do Vinho, Folar e Rock’n’Roll foi um desastre do caraças. Eu sentia-me um macaco em palco. O público todo estava a gravar-me e a olhar para o lado, só os cinco ou seis gajos da frente é que estavam atentos. Estava a atuar para o boneco.
Bem, falta o Kauê. Como é que entraste na banda?
[Kauê] Saiu o outro guitarrista e a Arianna perguntou-me se eu não queria fazer uns ensaios para testarmos. Fiz para aí uns cinco ensaios. Eu acho que ninguém falou nada de nada, era sempre só a tocar e nunca se discutia grande coisa. Um dia encontrei um deles na rua e disseram-me: “Pá, para a semana temos concerto, vens não vens? É que estamos a contar contigo.” [risos] O meu primeiro concerto foi aqui (em Fafe) e foi a primeira vez que toquei com o Pedro também [risos].
Parece-me que sempre tiveram bastante compromisso com a banda, mas nunca falaram muito sobre isso.
[Tiago] A gente não fala muito sobre nada.
[João] Agora já não é bem assim, já falamos mais do que antes.
Como é que funcionavam os ensaios, se vocês acabavam por falar muito pouco? Como é que começaram a compor? Vocês chegavam aos ensaios, não é, montavam as coisas…
[Nils] Vamos lá ver uma coisa: chegar aos ensaios já é bom. Quantos ensaios é que já teve toda a gente? [risos]
[António] Eu sou o gajo que vai a menos ensaios.
[Nils] Mas normalmente, chegamos e começamos simplesmente a improvisar. As músicas acabam por ganhar a letra do que o Pedro canta e vamos adaptando a música à volta dele.
[Tommy] É magia!
[João] Antes do Kauê entrar, quem segurava os riffs era mais o Tommy. Depois foi-se distribuindo pelos dois, mas agora acabamos por comunicar de forma totalmente diferente e já não precisamos de ter tantas muletas.
Agora que já vos perguntei como é que vocês se juntaram e quem é que vocês são todos, queria perguntar: quem é este Carlos Bizarro? É uma personagem, é um alter ego ou é uma figura coletiva?
[António] O Carlos Bizarro é um alter ego meu, é um heterónimo que eu usava quando tinha nem 25 anos, quando publicava poesia no Correio do Minho, em Braga, e no Diário de Jovem, que era um suplemento literário para jovens do Diário de Notícias. Mandava para lá poemas, artigos de opinião e assinava como Carlos Bizarro. Escrevia tanto sobre política como sobre temas humorísticos, como futebol. Mas o Carlos Bizarro também pode ser o Fred, que foi um ex-membro dos Sereias. Era percussionista, xamã, e já foi sem-abrigo no Porto e em Braga.
[João] [O Fred] entra neste disco e já tocou também em alguns concertos. Uma vez, quando estávamos a tocar em Lamego, no ZigurFest, ele tocou connosco e lembro-me de um cronista do Diário de Notícias dizer que havia um membro do grupo que parecia que a única função era azucrinar a cabeça dos restantes membros. Ele veio de bicicleta sozinho, do Porto até Lamego, porque não tínhamos espaço na carrinha e, durante a atuação, nunca tocou nos instrumentos uma única vez. Andava a tirar selfies e a empurrar o Pedro. No fim dissemos-lhe: “Pá, então não tocaste nada.” E o Fred disse: “A nova geração de músicos brasileiros está perdida, o público não merece. A gente chega ao palco e não toca.”
[António] O Carlos Bizarro simboliza também um poeta louco que queria mudar o mundo. Mas também podia ter sido outros. Já usei outros heterónimos.
Para este disco, como é que foi o processo de composição e como é que a vossa forma de trabalhar mudou agora com uma formação mais fixa?
[João] Nós queríamos fazer um álbum diferente dos outros.
[Kauê] O último álbum tinha sido muito focado na edição, porque era muito mais à volta de improvisação. Nós editamos 12 horas de gravação. Neste, tentamos fazer algo diferente.
[Tiago] Nós queríamos tentar escrever canções pela primeira vez. Já tocamos há para aí seis anos!
[João] Escrevemos algumas canções e gravamo-las. No entanto, depois decidimos apostar outra vez na improvisação. No final, os dois. Aí, as músicas que estavam compostas já tinham um poema associado. Por exemplo, “A Esquizofrenia” eram músicas que já tínhamos mostrado ao vivo e ainda continuamos a aprimorar, de certa forma. Outras como “A Extrema-Direita Fascista” ou “A Floresta” foram completamente improvisadas. O Pedro nem sequer escreveu uma letra para “A Floresta”.
Neste disco acabam por tocar em vários tópicos praticamente transversais à vossa discografia. Não vou conseguir falar de todos, naturalmente, mas escolhi três para falarmos: a religião, o álcool e a figura da mulher. Quando falas de Deus ou de Satanás, qual é a distinção que fazes entre os dois?
[António] Eu às vezes penso que sou Deus, Jesus e Satanás ao mesmo tempo. Tenho delírios e alucinações. Mas eu não acredito em Deus. Eu admiro a figura de Jesus Cristo, foi um grande homem, mas o Che Guevara também era, o Fidel Castro também era, o Bakunin também era e outros. E eu vou-te dizer uma coisa: eu já fui perseguido por um demónio. Podes não acreditar nessa merda, mas já fui. No meu quarto e na floresta.

O álcool nas vossas músicas surge como fuga, anestesia ou como combustível para a revolução?
[António] O álcool é a minha droga e não tenho mais nada a dizer.
E a figura da mulher? Surge como inspiração, motivo de conflito interno ou é uma projeção da esperança também do sujeito poético nas músicas?
[António] Eu já fui acusado, quando recitava poesia no Pinguim, no Pátio e afins, de ser sexista e machista com as mulheres. Mas eu, no fundo, sempre tratei as mulheres como deusas, principalmente as mulheres bonitas. Mas as mulheres bonitas desde que tenham alguma coisa dentro do caco. A mulher, para mim, é essencial para a vida. Já o Lou Reed dizia: “I love women, I think they’re great / They’re a solace to a world in a terrible state / They’re a blessing to the eyes, a balm to the soul / What a nightmare to have no women in the world”.
O Adolfo Luxúria Canibal participa no disco. Ele já é alguém que vos acompanha de perto desde o início, pelo menos desde que vos vi pela primeira vez, ele esteve sempre lá. Como é que surgiu a relação da banda com o Adolfo e a própria participação?
[António] Eu já conheço o Adolfo desde os 16, 17 anos, quando ia aos concertos de Mão Morta no Sá de Miranda e em muitos sítios em Braga. Quando vivi em Braga, conheci-o, mas não era amigo dele. E sempre admirei muito a música dele, mas ele nunca foi a minha única influência, contrariamente ao que dizem. Fui muito mais influenciado pelo Jim Morrison, dos The Doors, por exemplo, pelo Robert Plant, o Ian Curtis, dos Joy Division, ou pelo Mick Jagger, dos Rolling Stones.
E como é que surgiu a ideia de o trazer para uma música?
[João] Quando reparamos que ele vinha ver os nossos concertos, no segundo álbum pedimos-lhe para escrever um texto de apresentação e ele, muito graciosamente, escreveu um texto espetacular. Depois houve uma altura em que concorremos a um apoio que estava a haver na altura do COVID, que consistia em fazer residências com outros artistas, onde participaram, por exemplo, os Glockenwise com o Rui Reininho. A nossa proposta infelizmente não avançou, e éramos nós com o Adolfo. Ganhou o Pedro Abrunhosa…
[António] Detesto esse gajo!
[João] E ganhou o António Zambujo… opa, ganharam aqueles artistas que, coitadinhos, precisam mesmo desses apoios do Estado. Então, não aconteceu na altura a cena com o Adolfo. Mas agora, na composição deste disco, quando estávamos a gravar a música “Beber por Beber”, que era uma das improvisadas, o poema do Pedro tinha mais texto que não aparece na versão final e não estava a funcionar muito bem. Pensámos: “Porque não convidá-lo e ver como fica?”.
[Kauê] A gente mandou a música para ele, ele fez a letra. E um dia a gente marcou no estúdio e ele fez vários takes.
[João] Mas nós nunca tocamos com ele numa sala. Vamos ver se acontecerá um dia.
Vocês vão tocar com ele quando forem apresentar o disco?
[Kauê] Vamos ver, nós queremos. Seria muito fixe trazê-lo para o concerto na sede da Lovers.
Vocês já tocaram em contextos muito diferentes, desde salas como o Theatro Circo ou a Casa da Música até espaços mais informais como a Associação de Moradores da Lomba ou o Barracuda. Onde é que sentem que os Sereias funcionam melhor?
[Tiago] Em casa, sentadinhos (risos). Nós gostamos de ter o público próximo de nós, tipo à nossa frente. Aquela coisa de ter um palco grande cria muita distância e, por isso, prefiro palcos mais pequenos. Mas também estamos abertos a palcos maiores.
[Kauê] Se eu pudesse escolher entre uma sala mais punk, com pior qualidade de som, ou uma sala tipo a Casa da Música, preferia sempre a sala mais pequena. Como o Barracuda, por exemplo.
[António] Olha, se me dessem o estádio de Wembley, eu preferia.
[Tiago] Fumo, cerveja a voar, som de merda, músicos em cima do P.A., pessoal a cair para cima do P.A., é isso que queremos.
[Kauê] De vez em quando também é fixe tocar noutros contextos, só para testar que, de facto, nós conseguimos tocar na Casa da Música [risos].
[Nils] Mas nós também já decidimos, mesmo em palco grande, estarmos mais juntinhos. Por exemplo, no concerto em Santa Maria de Lamas agora, tivemos essa preocupação de tentar tornar o palco grande num palco mais pequeno, colocando todos os instrumentos mais juntos.
E a nível de público? Qual é a reação que esperam quando estão nesses sítios?
[António] Eu gosto que o povo se mexa, principalmente.
[Nils] Eu fico contente de ver malta jovem.
[Pedro] Eu adoro quando os putos vêm ter comigo e me dizem: “Olha, vocês são a nossa voz.”
[Kauê] Mas uma coisa que temos notado é que o pessoal que vem aos nossos concertos é pessoal que de facto nos procura, de um tempo para cá.
[Tiago] Mas também tens pessoas de 60 anos, estás a ver? E adoramos isso.
E quando vocês foram a estas salas, digamos, mais clássicas, já vos aconteceu, sendo tão efusivos nas vossas performances e atuações, deixarem uma sala completamente traumatizada?
[António] Aconteceu-me uma vez ali perto de Tomar… perto de Peniche. Eu recitei um poema do Jim Morrison em que há uma parte em que eu dizia: “Mãe, eu quero foder-te.” O público olhou para mim completamente escandalizado.
[João] E houve um no Palácio de Cristal também, mas aí a culpa já não foi nossa. Foi durante o COVID, o pessoal estava a ver o concerto sentado e havia uns miúdos a mijarem à frente do palco [risos]. A nossa música estava a fazer um mix meio estranho com aquela imagem.
Vocês já deram concertos fora de Portugal, em Ostrava e na Holanda, por exemplo. Como foram essas experiências? Sentiram que a vossa mensagem foi compreendida fora de Portugal? Sentiram o público recetivo?
[Kauê] De forma geral, sentimos que o público fora de Portugal fica contente de nos ver e está recetivo à nossa música, tanto à parte instrumental como à mensagem, porque a energia acaba por ser muito palpável e evidente. A gente tocou na Itália e tinha lá um mano da Índia que, pá, não entendia a maior parte das coisas, mas disse: “Eu senti o que estava a ser falado.” E o que ele achou que estava a ser falado era exatamente o que o Pedro estava a dizer. Ele disse que o Pedro era tipo um guru, até citou um guru indiano.
[Tiago] No MIL conhecemos uma pessoa que nos viu e foi essa pessoa que nos levou lá para fora. Ele não fala português sequer, e acho que a energia é percetível.
[João] Nós tocamos uma vez num pub em Amesterdão. Era tipo domingo, às oito da tarde. E entraram uns portugueses no bar mesmo quando o Pedro estava a cantar “A Puta de Deus”, e eu senti que realmente estava a representar Portugal.
Vocês têm então planos concretos para continuarem a tocar lá fora ou sentem-se mais focados em explorar mais territórios nacionais?
[Tiago] Nós estamos abertos a tudo. O que nós queremos é tocar.
[João] Nós continuamos a trabalhar com malta na Holanda. Tocar lá fora é uma logística complicada, temos de conseguir apoios, o que a maior parte das vezes não é fácil, porque a maior parte dos festivais não paga o suficiente. Afinal de contas, ainda somos bastantes para viajar.
E a nível de festivais cá em Portugal? Sinto que ainda não foram recebidos em condições por festivais grandes e onde funcionariam bem. Sentem que há abertura dos organizadores para tocarem nesses espaços, como Paredes de Coura ou o Primavera Sound?
[Tiago] Sinto… se outras bandas foram, nós também vamos. Não sei. Mas também acho que não têm muito interesse. Embora a gente toque na rádio de vez em quando, em alguns programas.
E há abertura da vossa parte para tocar nesses espaços?
[António] Eu gostava de tocar nesses espaços, mas onde queria mesmo era no Vilar de Mouros. Já vou lá desde os 12 anos. É um festival que me diz muito e pelo qual tenho muito carinho.
[Kauê] Gostava de tocar no Sonic Blast muito mais do que no Paredes de Coura ou no Primavera.
Os Sereias apresentam A Odisseia de Carlos Bizarro em duas datas na sede da Lovers & Lollypops no Porto, a 23 e 24 de abril. Os bilhetes podem ser adquiridos para as respectivas datas aqui e aqui.
Fotografia de destaque: João Pádua
